MADRUGADA PROUSTIANA

Proust com a sua vasta memória nos retrata de seu passado, das lembranças da infância, de um tempo longínquo onde não se volta mais.

Todos já foram crianças um dia, uma fase de inocência e descobertas que passa bem rápido, quando menos percebemos nos tornamos adultos, dai talvez a vontade de querermos filhos numa vã tentativa de retornar à nossa infância perdida. 

Eu olho pro passado e penso num desejo profundo de voltar a ser criança, num tempo em que a minha única preocupação era que livro ler naquele dia e se iria conseguir terminá-lo para logo pegar outro. Como o passado não volta e muito menos nós não voltamos no tempo, pois ainda a máquina do tempo não foi inventada, resta-me esquecer um pouco o passado e pensar no futuro, em reviver a minha infância através dos meus filhos que algum dia acreditarei ter.

Proust questiona do passado estar meio morto para ele, podemos até enterrar as nossas piores lembranças, angústias e arrependimentos, mas, tudo continuará vivo dentro de nós, a nossa memória só morrerá no dia em que morrermos, enquanto vivermos toda a nossa vida estará depositada no baú das nossas recordações, a memória continuará viva e intacta, salvo perda de memória como amnésia e mal de Alzheimer que dai a pessoa é obrigada a criar novas memórias e não tentar esquecê-las.

JANAINA RAMOS 

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