MADRUGADA PROUSTIANA

Eis finaste o dia que se fora, a madrugada surge e outro dia irá surgir daqui a algumas horas com o nascer do sol. O sono aos poucos vem assenhorando de si, tomara que a insônia não se apodere e dê espaço para os sonhos. 

Será que Proust escrevera a sua obra nas madrugadas solitárias de insônia? Quantas horas se passaram no seu processo de criação? Dizem que a noite é mais tranquila para a escrita e leitura, eu prefiro mais ler na companhia da lua onde reina o silêncio. Muitas vezes já fui surpreendida acordando com a luz acesa, meu rosto entre as páginas abertas do livro e o livro no lugar do travesseiro, inclusive, em algumas dessas situações foi com a obra de Proust. 

Cada leitura é única e diferente, muitas horas se passaram desde que comecei a ler Proust, se for contar no tempo fora dois anos desde a primeira vez que abri o livro para ler. O sono, inimigo da leitura, o grande vilão que interrompe a leitura retardando a finalização do trecho, é normal se em dado momento acabarmos sonhando com o trecho interrompido, como se nosso inconsciente quisesse que continuássemos a história, pois curioso e impaciente, ele deseja saber o final da história.

Ah, o tão desejado final. Como ainda estou no começo da leitura de Proust penso que ainda estou num longo caminho e muita leitura vindo juntando as horas perdidas de sono e a leitura interrompida.

JANAINA RAMOS 

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