MADRUGADA PROUSTIANA

Entre o sono e o despertar há seus mistérios. Mais além os da insônia. Se adormecidos conectamos a mente ao sonho e imaginação, acordados durante a madrugada inúmeros pensamentos nos afloram. A perturbação e frustração de não dormir, o desassossego da alma, aquela irritação inquietante de estar perdendo tempo.

Foi numa noite de insônia que Proust começou a escrever a sua grandiosa obra Em Busca do Tempo Perdido associando lembranças, memórias e pensamentos na sua escrita. Nas minhas noites de insônias irei escrever sobre Proust seguindo os trechos de Recortes Literários: Em Busca do Tempo Perdido anteriormente publicados em minha página. Tentarei elaborar uma crítica literária sobre o assunto abordado em questão.

Entre o meu despertar e o sono perdido há turbulência de pensamentos, o desejo de dormir, a vontade de fazer nada e deixar a noite passar normalmente nas suas horas lentas, a ansiedade do dia amanhecer. Há tempos que não consigo associar o sono e ainda não possuo uma mente tão brilhante de Proust a ponto de aproveitar essas horas extras a escrever um romance. Ainda não estou pronta.

As lembranças povoam a mente e não avisam quando aparecem, geralmente lembramos de algo por associação. Proust lembrou da infância ao comer um biscoito que o remetia ao seu passado. Em comparativo, eu recordo da minha infância ao comer arroz doce, adorava comer e era o meu prato favorito da merenda escolar, as vezes ficava duas vezes na fila para repetir o prato e não importava que com isso iria perder o intervalo do recreio. Quantas lembranças adormecidas dentro de nós, como um tesouro perdido à espera de ser encontrado, até uma lembrança do despertar e de um sono perdido.

JANAINA RAMOS


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