Confissões de uma menininha

Ó dor que dilacera minha alma. Ó dor que me tortura. Ó dor que arruina a minha vida. Ó dor que me impede de ser feliz.

Quero viver sem dor. Desejo nunca mais sofrer. 

Vou te contar um segredo que não mais é um segredo, mas te contarei a minha verdade, a minha mais nua e crua verdade da minha vida.


Antes fosse mentira de que a minhas dores iniciaram aos nove anos, antes fosse mentira que há pouco mais de uma década que sinto dores de cabeça todos os dias, toda a hora e todo o minuto.

Comentários

  1. A dor que só sai enquanto durmo...
    Que como um cachorro zela meu sono...
    Que me veste quando acordo...
    Que se cala quando eu falo.

    Silenciosa sei que está ali
    No rosto de uma senhora...
    Nas lágrimas de uma infância perdida
    De uma juventude mal aproveitada
    De uma velhice inválida...

    Ailton Lima


    Não, meu coração não é maior que o mundo.
    É muito menor.
    Nele não cabem nem as minhas dores.
    Por isso gosto tanto de me contar.
    Por isso me dispo,
    por isso me grito,
    por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
    preciso de todos.
    Sim, meu coração é muito pequeno.
    Só agora vejo que nele não cabem os homens.
    Os homens estão cá fora, estão na rua.
    A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
    Mas também a rua não cabe todos os homens.
    A rua é menor que o mundo.
    O mundo é grande.
    Tu sabes como é grande o mundo.
    Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
    Viste as diferentes cores dos homens,
    as diferentes dores dos homens,
    sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
    num só peito de homem... sem que ele estale.
    Fecha os olhos e esquece.
    Escuta a água nos vidros,
    tão calma, não anuncia nada.
    Entretanto escorre nas mãos,
    tão calma! Vai inundando tudo...
    Renascerão as cidades submersas?
    Os homens submersos – voltarão?
    Meu coração não sabe.
    Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
    Só agora descubro
    como é triste ignorar certas coisas.
    (Na solidão de indivíduo
    desaprendi a linguagem
    com que homens se comunicam.)

    Carlos Drummond Andrade

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