Prosa poética

A sedução da morte
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Debruçado ante o patamar da escada, Wagner contempla a sua imagem refletida no espelho, a casa é um mar de espelhos, Narciso sucumbiria com a sua própria imagem ante o infortúnio dessa casa.
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“O abismo atrai-me, o meu fim se aproxima”, dialogava-se consigo, “a morte chega sorrateira, é uma mulher em forma de demônio, o seu encanto, a beleza das suas formas artísticas, enfeitiça os mais infelizes e os tragam ao poço mais profundo das lamentações humanas.
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A sociedade não existe. É uma invenção boba da humanidade. Eu não existo. Duvido da minha existência. A mentira corrói a minha alma. Se essa besta que chamam de sociedade existe fui expulso e subjugado dela, fui pisado e insultado, deserdaram-me, sou um infeliz que vive na podridão da solidão.
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Há uma semana que me expulsaram da civilização, nunca mais viverei entre os homens, sou um homem extinto, um homem morto, morri e esqueceram de enterrar-me.
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A mulher-morte anuncia a sua presença com um odor de rosas vermelhas, a sua voz entoando uma canção mortífera, não resisti a tentação e sucumbi a minha má sorte, a morte seduze-me, não resisto e sigo às vozes da minha paixão, enlaço-me à mulher-morte, beijo os seus venenosos lábios e sugo o doce veneno da minha morte.”
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Janaina Ramos
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15/07/2009

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