O temor de amar e sofrer - Janaina Ramos

O temor de amar e sofrer
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A ilusão de amar. A desilusão de não ser amada. Sofrer com o amor desprezado. Vida triste corroída de dores permeando pelo corpo e alma.
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Sou condenada a sofrer. Dizem que os poetas e escritores são solitários e tristes, desiludidos no amor, amam tão loucamente que descarregam os seus lamentos e desabafos amorosos em inúmeras palavras criando assim poesia e prosa. Qual poeta que nunca sofreu de amor? Quantas lágrimas foram derramadas nos prantos de desilusão e martírios. Acreditar no amor? Eu acredito, mas duvido se serei feliz.
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Vida corroída no vazio. O vazio que assola o meu coração. Desejos de amar, o temor do desprezo, o terror de sofrer. O meu sofrimento persiste nos meus pensamentos vindouros, sofro desde quando domino o meu raciocínio e formulo os meus pensamentos. Descartes diz Penso, Logo, Existo; eu digo Penso, Logo, Sofro. A minha mente nunca conheceu uma alma feliz e tranqüila sem perturbações nos pensamentos, mesmo nos instantes mais felizes a sombra dos meus pesares sempre me perseguia.
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Pensei acerca de escrever um texto sobre Caduquice da vida e tomei a resolução de aproveitar esse ensejo a um desabafo. Que caduquice essa de uma pobre alma, uma reles mortal que sou eu, a viver em mares de sofrimentos e nem o ter direito de amar e ser feliz?
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Pra que servem a minha inteligência e a minha beleza se vivo perseguida com a ilusão de ser a eterna solitária? Sou narcisista, admiro a minha imagem, sou bela diante de meus olhos e talvez de outros olhares. Outrora eu era uma sombra, passava despercebida, ninguém notava a minha presença e nem a falta dela, eu era um ser invisível diante dos outros. Agora, a minha presença atrai inúmeros olhares, inconscientemente seduzo os homens.
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Harmonia do corpo e alma, sensibilidade e virtude na razão de um ser existente consciente da sua existência. Coitado do tolo consciente que tem a consciência do seu miserável sofrimento. Viverá subjugado pela sua triste condição de um ser solitário e triste.
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Fugi da realidade e afundei num mundo em que a solidão e a dor não existe, ao meu infortúnio esse mundo não existe. Preferir a uma realidade falsa e imaginaria do que uma realidade verdadeira e triste? O que é real? Sou movida a negar que a minha realidade imaginaria não existe, que vivendo e enfrentando o mundo real eu seria triste. Alma triste e infeliz.
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Sou louca e neurótica, na adolescência em meio aos livros tornou-me assim. Não sofro de alucinações ou surtos psicológicos, sofro de imaginações, eu não vejo imagens que não sejam reais, a minha visão é lúcida, mas, a minha imaginação é insana.
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Loucura? Sexo e livros extasiam-me e deliram o meu espírito. O tesão de sentir o despudor pela vida, o delírio inspirado na criação artística literária, o fascínio pelas palavras que atrai a imaginação, o ser que deseja ser feliz. Quando digo sexo não falo tão só no ato sexual, mas em toda concepção ideológica acerca sobre o sexo e dos ideais que povoam os pensamentos. Com relação aos livros, digo de todo intelecto humano produzido através do conhecimento e da memória armazenada nos homens e livros.
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A eterna solitária prossegue no seu caminho num abismo profundo de trevas de desilusões. A eterna solitária não deseja mais sofrer. A eterna solitária deseja ser feliz na sua solidão. Não desejo mais ser a eterna solitária. Quero ser feliz e amar. Sou poeta, mas não tenho culpa de os poetas serem tristes, imagino quantos versos tristes ainda terei de escrever. Escrever, talvez essa seja a única salvação da minha alma solitária e triste. Escrever e iludir com os meus escritos.
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Janaina Ramos
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28/07/2009

Comentários

  1. Quem nunca sofreu de amor, mesmo não sendo poeta ou escritor?
    Descartes tinha razão. Penso, logo existo ou, eu sou aquilo que penso.
    Quem diz penso logo sofro, faz do sofrimento o seu lema. O seu objectivo. Quantas vezes é preciso não dar ouvidos à razão?
    É sempre tempo de mudar o pensamento. O momento é AGORA.
    Um beijinho,
    Maria Emília

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