Ilusões Perdidas

A ilusão!
Iludir com os nossos sonhos e viver acomodando-se neles?
Esperar que os nossos sonhos apareçam sem o minimo esforço?
Viver numa vida fácil à espera de riqueza e prosperidade?
Ah! quanto erro nessas ilusões!
***
***
"Durante um mês Luciano viu seu tempo tomado por ceias, jantares, almoços e festas, e foi arrastado por uma torrente invencível num turbilhão de prazeres e de trabalho fácil. Não fazia mais cálculos. O poder do cálculo em meio às complicações da vida é como que o selo das grandes vontades, que os poetas, as criaturas fracas ou puramente espirituais, jamais podem imitar. Como a maior parte dos jornalistas, Luciano viveu imprevidentemente, gastando o dinheiro a medida que o ganhava, sem pensar absolutamente nas exigências periódicas da vida parisiense, esmagadora para tais boêmios. Suas roupas e modo de vida rivalizavam com os dos mais notados leões da moda..."
***
***
Quanto infortúnio de um poeta que não aproveita as oportunidades que lhe surgem, entrega-se aos prazeres da sociedade, ignora o futuro, sustenta a sua vida em sonhos e ilusões.
*** ***
"Na vida dos ambiciosos e de todos quantos não podem triunfar com a ajuda dos homens e das coisas, segundo um plano de ação mais ou menos bem estabelecido, observado e mantido, há um momento cruel em que não sei que poder os submete a rudes provas: tudo falha ao mesmo tempo, por todos os lados os fios se rompem ou se emaranham, a desgraça surge de todos os cantos. Se um homem perde a cabeça em meio dessa desordem moral, está perdido. Os que sabem resistir a essa primeira revolta das circustâncias, que se conservam firmes deixando passar a tormenta, que fogem, subindo, por meio de um espantoso esforço, à esfera superior, esses são os homens realmente fortes. Todo homem, a menos que tenha nascido rico, enfrenta assim o que é preciso chamar a semana fatal. Para Napoleão, essa semana foi a da retirada de Moscou.
Esse cruel momento havia chegado para Luciano. Tudo havia sucedido com demasiada felicidade para ele, tanto na sociedade como na literatura; havia sido feliz demais; teria, pois, de ver os homens e as coisas voltaram-se contra ele."
***
***
Luciano de Rubempré, personagem balzaquiano em Ilusões Perdidas e na Comédia Humana. Encantei-me pela beleza e inteligência desse jovem poeta que ansiava por glórias, o meu encanto foi tanto que criei um pseudônimo com o mesmo nome dele... Em toda fase de encanto há o desencanto, ao ler a obra balzaquiana pela segunda vez não havia percebido outrora os estragos que ele fez na sua vida.
Exageros a parte já que trata de ficção literária, antes discutir o caráter de um personagem literário do que discutir acerca de um personagem de novela ou até de um BBB. Sou fiel aos meus livros, em enredos literários mergulho na história de cada personagem, sinto como se presenciasse cada ação e compartilhassse de cada sentimento... Quando leio esqueço dos meus problemas e pesares, desde criança que encontrei nos livros uma saída as minhas inquietudes, na ausência de amigos recorri aos livros. Reconheço que não foi atraves dos livros que descobri o verdadeiro valor da amizade, precisou desprender-me por um ano dos livros a perceber o quanto as pessoas são maravilhosas, que cada uma possui a sua história e carrega algum ensinamento, consquistei bastante amigos mas os verdadeiros amigos que tenho são poucos. Não abandonei aos livros, leio muito pouco comparado como antigamente, a vida é muito curta e deve ser aproveitada a cada momento com muito prazer.
Possuo algumas semelhanças com o Luciano, sou tanto sonhadora e ambiciosa quanto ele, mas perdoem-me, o Luciano é um tolo, alguem mimado e preguiçoso que se acodoma facilmente às situações, espera que as coisas aconteçam sem muito esforço, o pior de tudo ele não desconfiou das falsas amizades que queriam aproveitar-se dele e desprezou os verdadeiros amigos. As suas ilusões foram se perdendo a cada derrota, conquistou a riqueza mas não sou aproveita-la direito desperdiçando tudo com futilidades inúteis com a miséria e a pobreza por perto.
Não nego que temo perder-me em minhas ilusões, as vezes desprendo-me da realidade e perco em meus pensamentos, sou uma sonhadora e idealista. Mas sou alguem muito consciente dos meus atos, a não correr o risco de dar um passo em falso penso mil vezes antes de tomar a decisão. Sou uma guerreira, sei que os sonhos não aparecem quando menos esperamos por eles, nós devemos lutar para que eles se concretizem. Meu sonho de criança era de ser escritora, se estou escrevendo e planejando o meu primeiro livro já me sinto como escritora, já dei o meu primeiro passo e continuar sustentando o meu sonho. Ainda mantenho as minhas ilusões para comigo e elas não foram perdidas... Vivo nos meus sonhos mas não esqueço da realidade...
Janaina Ramos

Comentários